{"id":889,"date":"2016-11-17T19:26:42","date_gmt":"2016-11-17T21:26:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.robertonovaes.com.br\/?p=889"},"modified":"2020-07-26T16:49:45","modified_gmt":"2020-07-26T19:49:45","slug":"software-livre-licenciamento-de-software-e-acesso-ao-conhecimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.robertonovaes.com.br\/index.php\/2016\/11\/17\/software-livre-licenciamento-de-software-e-acesso-ao-conhecimento\/","title":{"rendered":"Software livre, licenciamento de software e acesso ao conhecimento"},"content":{"rendered":"\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>MAGALH\u00c3ES GOMES, M. F.; NOVAES, R. V.; BECKER, M. G. Software Livre, licenciamento de software e acesso ao conhecimento.\u00a0<em>Nomos &#8211; Revista do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Direito &#8211; Universidade Federal do Cear\u00e1<\/em>,\u00a0 Fortaleza, v. 36.2, p. 307-323, 2016.<\/p><p><a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"MAGALH\u00c3ES GOMES, M. F; NOVAES, R. V; BECKER, M. G. Software Livre, licenciamento de software e acesso ao conhecimento.\u00a0Nomos - Revista do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Direito - Universidade Federal do Cear\u00e1,\u00a0 Fortaleza, v. 36.2, p. 307-323, 2016.\u2028Download do artigo original em PDF\n (opens in a new tab)\" href=\"https:\/\/www.robertonovaes.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/MAGALHAES-GOMES-NOVAES-BECKER-software-livre-licenciamento-de-software-acesso-ao-conhecimento.pdf\" target=\"_blank\">Download do artigo original em PDF<\/a><\/p><p><a href=\"https:\/\/www.robertonovaes.com.br\/index.php\/2020\/07\/26\/open-source-software-access-to-knowledge-and-software-licensing\/\" data-type=\"post\" data-id=\"2020\">English version<\/a><br><\/p><cite>Identificador- <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.repositorio.ufc.br\/handle\/riufc\/28205\" target=\"_blank\">http:\/\/www.repositorio.ufc.br\/handle\/riufc\/28205<\/a><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Marcella Furtado de Magalh\u00e3es Gomes<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Professora Adjunta do Departamento de Direito do Trabalho e Introdu\u00e7\u00e3o ao Estudo do Direito da Faculdade de Direito da UFMG. Possui gradua\u00e7\u00e3o em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (2002), mestrado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (2005) e doutorado em direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (2009). Tem experi\u00eancia na \u00e1rea de Direito, com \u00eanfase em \u00c9tica, atuando principalmente nos seguintes temas: filosofia e filosofia do direito, hist\u00f3ria do direito e direito romano, sociologia jur\u00eddica, hermen\u00eautica jur\u00eddica, introdu\u00e7\u00e3o ao estudo do direito, teoria geral do direito e do direito privado, metodologia cient\u00edfica e metodologia da pesquisa em direito, l\u00f3gica e l\u00f3gica jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Roberto Vasconcelos Novaes<br><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Doutor e Mestre em Filosofia do Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais. Professordo IBMEC Minas Gerais no Curso de Direito.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Mariana Guimar\u00e3es Becker<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Graduanda em Direito na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Resumo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num mundo em que cada vez mais as nossas atividades dependem do bom desempenho dos softwares que as estruturam, a cria\u00e7\u00e3o e a divulga\u00e7\u00e3o de softwares livres proporcionou acesso ao conhecimento, \u00e0 pesquisa e ao desenvolvimento em pa\u00edses como o Brasil, que sem a utiliza\u00e7\u00e3o destas plataformas sofreriam ainda mais em raz\u00e3o de sua defasagem tecnol\u00f3gica se os comparamos aos desenvolvidos. O open source software difere do licenciamento de direitos autorais tradicional ao permitir a distribui\u00e7\u00e3o e a modifica\u00e7\u00e3o pelos usu\u00e1rios dos softwares que utilizam. Todavia, apesar da nomenclatura comum, h\u00e1 diferentes modalidades de abertura e utiliza\u00e7\u00e3o destas ferramentas e estas diferen\u00e7as t\u00eam repercuss\u00f5es jur\u00eddicas, tecnol\u00f3gicas e econ\u00f4micas s\u00e9rias. Temos desde softwares abertos que permitem ao usu\u00e1rio todo e qualquer tipo de uso de seu c\u00f3digo, inclusive o econ\u00f4mico; at\u00e9 aqueles que exigem que todo uso seja tamb\u00e9m liberado em c\u00f3digo aberto. Nos EUA existe uma bem estruturada legisla\u00e7\u00e3o e j\u00e1 formada jurisprud\u00eancia sobre estas modalidades de utiliza\u00e7\u00e3o do open source software. No Brasil, o mundo jur\u00eddico ainda n\u00e3o se deteve sobre a regulamenta\u00e7\u00e3o precisa destas modalidades de software livre, suas poss\u00edveis utiliza\u00e7\u00f5es e sobre as consequ\u00eancias jur\u00eddicas do descumprimento destas regras. Entretanto, nas \u00faltimas d\u00e9cadas o governo brasileiro tem apoiado a utiliza\u00e7\u00e3o de softwares livres em suas organiza\u00e7\u00f5es. Nesse artigo, discorremos sobre a legisla\u00e7\u00e3o brasileira em rela\u00e7\u00e3o ao licenciamento de software livre e analisamos as justificativas de ganho de produtividade e economia financeira utilizadas para a ado\u00e7\u00e3o desses sistemas. Assim, pretendemos demonstrar que a utiliza\u00e7\u00e3o de softwares livres \u00e9 fundamental \u00e0 promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento econ\u00f4mico e tecnol\u00f3gico, em especial em pa\u00edses como o nosso. O acesso aos softwares livres \u00e9 vital para a melhor organiza\u00e7\u00e3o de governos e possibilita a transpar\u00eancia e a efetiva\u00e7\u00e3o dos direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Abstract<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">The world depends more and more on computers. Open source and free software create the ideal conditions to access the fundamental digital tools, allowing the advance of knowledge, research and development in countries such as Brazil that would be otherwise deprived of these kinds of benefits. In spite of the common terms, there are different ways to license and distribute open source software. The open source spectrum ranges from complete grant of commercial uses to those that demand that derivative works are distributed under the same license terms. These differences have important economical, legal and technical consequences. Those different structures affect software development, longevity of projects and software distribution. In USA there is a better developed and structured legal precedent collection. In Brazil, however, the legal sphere is yet to study the precise rules and consequences of open source software, especially concerning intellectual property and patents. Nevertheless, in the past decade Brazil government had supported the utilization of the open source software in its internal organizations. There is also a new legislation that illuminates the uses and advantages of those technologies. In this paper we present this Brazilian legislation regarding open source software licensing, and also analyses the gains of productivity or economic benefits derived from the adoption of those systems. This way, we intend to show that the availability of open source and free tools is a fundamental factor to promote development that could otherwise be haltered due to high costs and private control of technology. The access and availability of open source software is a vital way to create better governments, public transparency and human rights enforcement.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">1) Introdu\u00e7\u00e3o<br><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num mundo em que as nossas atividades dependem do bom desempenho dos softwares que as organizam, a cria\u00e7\u00e3o e a divulga\u00e7\u00e3o de softwares livres, ou seja, de programas que possibilitam o acesso do usu\u00e1rio \u00e0 sua estrutura, tem o poder de dar acesso tecnol\u00f3gico relevante a diversas sociedades. <br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar da nomenclatura comum, h\u00e1 diferentes modalidades de abertura e utiliza\u00e7\u00e3o destas ferramentas e estas diferen\u00e7as t\u00eam repercuss\u00f5es jur\u00eddicas, tecnol\u00f3gicas e econ\u00f4micas s\u00e9rias. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os defensores desta tecnologia argumentam que seu uso proporciona acesso \u00e0s ferramentas digitais mais avan\u00e7adas, favorecendo o avan\u00e7o do conhecimento, da pesquisa e do desenvolvimento em pa\u00edses, como o Brasil, que sem a utiliza\u00e7\u00e3o destas plataformas sofreriam de forma mais dr\u00e1stica a sua aus\u00eancia, em raz\u00e3o de sua defasagem tecnol\u00f3gica se os comparamos aos pa\u00edses desenvolvidos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste trabalho apresentamos o que \u00e9 um software livre, quais as modalidades jur\u00eddicas de abertura de c\u00f3digo existem e quais as conseq\u00fc\u00eancias destes diferentes tipos de licenciamento, bem como as repercuss\u00f5es da utiliza\u00e7\u00e3o do software livre, em especial no Brasil, que adotou pol\u00edtica governamental de incentivo \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o desta ferramenta.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">2) Conceito de Free Software e de Open Source Software<br><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1985 foi criada a Free Software Foundation, uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos, voltada \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o de restri\u00e7\u00f5es sobre a execu\u00e7\u00e3o, c\u00f3pia, distribui\u00e7\u00e3o, estudo e modifica\u00e7\u00e3o de softwares. Estas a\u00e7\u00f5es constituem os pilares da defini\u00e7\u00e3o de software livre, ainda que esta defini\u00e7\u00e3o esteja em constante constru\u00e7\u00e3o, em raz\u00e3o das diferentes demandas sociais e tamb\u00e9m da constante evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica no \u00e2mbito de TI.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com a <em>Free Software Foundation <\/em>(FSF), por software livre devemos entender softwares que respeitam a liberdade e o senso de comunidade de seus usu\u00e1rios. Reafirmam-se, assim, os fundamentos que ensejaram a cria\u00e7\u00e3o da FSF, ou seja, os usu\u00e1rios de softwares livres possuem a liberdade de executar, copiar, distribuir, estudar, mudar e melhorar o software de forma a controlar o programa e o que ele seria capaz de fazer. (<a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Em 1985 foi criada a Free Software Foundation, uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos, voltada \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o de restri\u00e7\u00f5es sobre a execu\u00e7\u00e3o, c\u00f3pia, distribui\u00e7\u00e3o, estudo e modifica\u00e7\u00e3o de softwares. Estas a\u00e7\u00f5es constituem os pilares da defini\u00e7\u00e3o de software livre, ainda que esta defini\u00e7\u00e3o esteja em constante constru\u00e7\u00e3o, em raz\u00e3o das diferentes demandas sociais e tamb\u00e9m da constante evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica no \u00e2mbito de TI.\nDe acordo com a Free Software Foundation (FSF), por software livre devemos entender softwares que respeitam a liberdade e o senso de comunidade de seus usu\u00e1rios. Reafirmam-se, assim, os fundamentos que ensejaram a cria\u00e7\u00e3o da FSF, ou seja, os usu\u00e1rios de softwares livres possuem a liberdade de executar, copiar, distribuir, estudar, mudar e melhorar o software de forma a controlar o programa e o que ele seria capaz de fazer. (http:\/\/www.gnu.org\/philosophy\/free-sw.pt-br.html)\nEssa liberdade volta-se tanto para o uso e execu\u00e7\u00e3o dos softwares, quanto para sua capacidade de processamento e adapta\u00e7\u00e3o de dados \u00e0s novas necessidades e aplica\u00e7\u00f5es, e, somente \u00e9 poss\u00edvel ser concretamente exercida, pela disponibiliza\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo fonte que comp\u00f5e o software para a an\u00e1lise e altera\u00e7\u00e3o por parte do usu\u00e1rio. A disponibiliza\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo fonte possibilita um alto grau de produ\u00e7\u00e3o\ntecnol\u00f3gica de car\u00e1ter inovador. Um programa pode ser destrinchado e remodelado de forma a gerar diversos outros programas diferentes de seus originais. Permite-se, tamb\u00e9m, certa liberdade social, pela forma\u00e7\u00e3o de parcerias entre diversos programadores e usu\u00e1rios que n\u00e3o s\u00e3o poss\u00edveis no contexto da produ\u00e7\u00e3o de softwares sob licen\u00e7as propriet\u00e1rias1. A pluralidade de colaboradores tamb\u00e9m proporciona maior confiabilidade aos softwares pelo simples fato de v\u00e1rios programadores, de todo o mundo e com todo tipo de habilidades, trabalharem para melhor\u00e1-los. Al\u00e9m disso, os usu\u00e1rios desses programas podem relatar de forma mais completa as limita\u00e7\u00f5es e erros no seu funcionamento e se encontram em uma posi\u00e7\u00e3o melhor para lidar com essas falhas, pois tem acesso \u00e0 estrutura do software que utilizam. (opens in a new tab)\" href=\"http:\/\/www.gnu.org\/philosophy\/free-sw.pt-br.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.gnu.org\/philosophy\/free-sw.pt-br.html<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa liberdade volta-se tanto para o uso e execu\u00e7\u00e3o dos softwares, quanto para sua capacidade de processamento e adapta\u00e7\u00e3o de dados \u00e0s novas necessidades e aplica\u00e7\u00f5es, e, somente \u00e9 poss\u00edvel ser concretamente exercida, pela disponibiliza\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo fonte que comp\u00f5e o software para a an\u00e1lise e altera\u00e7\u00e3o por parte do usu\u00e1rio. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A disponibiliza\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo fonte possibilita um alto grau de produ\u00e7\u00e3o<br>tecnol\u00f3gica de car\u00e1ter inovador. Um programa pode ser destrinchado e remodelado de forma a gerar diversos outros programas diferentes de seus originais. Permite-se, tamb\u00e9m, certa liberdade social, pela forma\u00e7\u00e3o de parcerias entre diversos programadores e usu\u00e1rios que n\u00e3o s\u00e3o poss\u00edveis no contexto da produ\u00e7\u00e3o de softwares sob licen\u00e7as propriet\u00e1rias[note] O termo propriet\u00e1rio \u00e9 usado para se referir a programas e licen\u00e7as que n\u00e3o possam ser considerados livres segundo a defini\u00e7\u00e3o apresentada.[\/note].<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pluralidade de colaboradores tamb\u00e9m proporciona maior confiabilidade aos softwares pelo simples fato de v\u00e1rios programadores, de todo o mundo e com todo tipo de habilidades, trabalharem para melhor\u00e1-los. Al\u00e9m disso, os usu\u00e1rios desses programas podem relatar de forma mais completa as limita\u00e7\u00f5es e erros no seu funcionamento e se encontram em uma posi\u00e7\u00e3o melhor para lidar com essas falhas, pois tem acesso \u00e0 estrutura do software que utilizam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todos esses fatores contribuem para a maior longevidade dos programas. Softwares propriet\u00e1rios podem sair de linha impedindo a sua reciclagem em programas mais modernos ou com novas aplica\u00e7\u00f5es. Softwares livres, apesar de estarem tamb\u00e9m sujeitos a cair em desuso, s\u00e3o facilmente acess\u00edveis para serem reutilizados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As diversas licen\u00e7as que regem a utiliza\u00e7\u00e3o de softwares livres[note]As licen\u00e7as de software livre para que realmente sejam consideradas livres, n\u00e3o podem restringir as liberdades mencionadas, tendo como intuito garanti-las.[\/note], antes de tudo, objetivam impedir a explora\u00e7\u00e3o comercial de car\u00e1ter exclusivo de seus c\u00f3digos-fonte. Isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o possa ocorrer nenhum tipo de explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dos softwares livres ou de seus c\u00f3digos-fonte; mas, apenas, que o usu\u00e1rio deve ter acesso ao seu c\u00f3digo-fonte, o que possibilita para al\u00e9m do ganho econ\u00f4mico que o usu\u00e1rio usufrua do valor intelectual do software e tenha controle sobre o programa que utiliza. O software livre \u00e9 assim chamado porque seu usu\u00e1rio \u00e9 livre para conhecer e utilizar a estrutura sobre a qual se construiu aquele sistema: <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Assim sendo, \u2018software livre\u2019 \u00e9 uma quest\u00e3o de liberdade, n\u00e3o de pre\u00e7o. Para entender o conceito, pense em \u2018liberdade de express\u00e3o\u2019, n\u00e3o em \u2018cerveja gr\u00e1tis\u2019.<\/p><cite>Dispon\u00edvel em: <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.gnu.org\/philosophy\/ free-sw.pt-br.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.gnu.org\/philosophy\/free-sw.pt-br.html.<\/a><br>Acesso em 24 jun 2013<br><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A FSF definiu quatro liberdades essenciais que devem estar presentes em um software para que ele possa ser chamado de <em>livre<\/em>:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>A liberdade de executar o programa, para qualquer prop\u00f3sito (liberdade 0).<\/li><li>A liberdade de estudar como o programa funciona, e adapt\u00e1-lo \u00e0s suas necessidades (liberdade 1). Para tanto, acesso ao c\u00f3digofonte \u00e9 um pr\u00e9-requisito.<\/li><li>A liberdade de redistribuir c\u00f3pias de modo que voc\u00ea possa ajudar ao pr\u00f3ximo (liberdade 2).<\/li><li>A liberdade de distribuir c\u00f3pias de suas vers\u00f5es modificadas a outros (liberdade 3). Desta forma, voc\u00ea pode dar a toda comunidade a chance de se beneficiar tamb\u00e9m das mudan\u00e7as que voc\u00ea fez no software. Para tanto, acesso ao c\u00f3digo-fonte \u00e9 um pr\u00e9-requisito. <\/li><\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u00fanica limita\u00e7\u00e3o a essas liberdades, em especial \u00e0 liberdade 3, \u00e9 o <em>copyleft<\/em>, ou seja, a possibilidade de imposi\u00e7\u00e3o pela licen\u00e7a de que as c\u00f3pias distribu\u00eddas sejam licenciadas da mesma forma que o software original, n\u00e3o sendo permitida a adi\u00e7\u00e3o de restri\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias \u00e0s liberdades centrais. Essa regra impede que os softwares livres percam no processo de sua modifica\u00e7\u00e3o pela comunidade as qualidades que os caracterizam como tais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Open Source Software<\/em> ou software de c\u00f3digo aberto s\u00e3o outros termos comumente usados para se referir aos softwares livres, e, de fato, definem basicamente a mesma classe de programas. Apesar disso, o uso dessas duas denomina\u00e7\u00f5es como sin\u00f4nimas pode ser considerado equivocado. Os softwares de c\u00f3digo aberto n\u00e3o est\u00e3o necessariamente focados na liberdade dos usu\u00e1rios, quest\u00e3o central dos softwares livres. Para este tipo de programa, o que importa s\u00e3o os aspectos pr\u00e1ticos da abertura do c\u00f3digo fonte, ou seja, sua forma de desenvolvimento, seus benef\u00edcios, sua grande capacidade de inova\u00e7\u00e3o e sua confiabilidade. Os movimentos de software livre apresentam uma vis\u00e3o mais pol\u00edtica e socialmente engajada e, por isso, se preocupam com o acesso ao conhecimento e a liberdade de uso desse conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">3) Direito de software e licen\u00e7as<br><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, os programas de computador, livres ou propriet\u00e1rios, regem-se pela <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"No Brasil, os programas de computador, livres ou propriet\u00e1rios, regem-se pela Lei n\u00ba 9.609\/98 \u2014 Lei do Software e pela Lei n\u00ba 9.610\/98 \u2014 Lei do Direito Autoral. Em rela\u00e7\u00e3o ao software livre, \u00e9 necess\u00e1rio destacar que a aplica\u00e7\u00e3o do direito autoral deve ser, primeiro, reconhecida para que, posteriormente, possa haver sua ren\u00fancia em favor de outros usu\u00e1rios e programadores. Por\u00e9m a regulamenta\u00e7\u00e3o dos softwares livres depende muito das licen\u00e7as desenvolvidas especialmente para este tipo de programa, pois s\u00e3o elas que estipulam, em grande parte, as consequ\u00eancias jur\u00eddicas do uso deste tipo de software. (opens in a new tab)\" href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Leis\/L9609.htm\" target=\"_blank\">Lei n\u00ba 9.609\/98 \u2014 Lei do Software<\/a> e pela <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Leis\/L9610.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"No Brasil, os programas de computador, livres ou propriet\u00e1rios, regem-se pela Lei n\u00ba 9.609\/98 \u2014 Lei do Software e pela Lei n\u00ba 9.610\/98 \u2014 Lei do Direito Autoral. Em rela\u00e7\u00e3o ao software livre, \u00e9 necess\u00e1rio destacar que a aplica\u00e7\u00e3o do direito autoral deve ser, primeiro, reconhecida para que, posteriormente, possa haver sua ren\u00fancia em favor de outros usu\u00e1rios e programadores. Por\u00e9m a regulamenta\u00e7\u00e3o dos softwares livres depende muito das licen\u00e7as desenvolvidas especialmente para este tipo de programa, pois s\u00e3o elas que estipulam, em grande parte, as consequ\u00eancias jur\u00eddicas do uso deste tipo de software. (opens in a new tab)\">Lei n\u00ba 9.610\/98 \u2014 Lei do Direito Autoral<\/a>. Em rela\u00e7\u00e3o ao software livre, \u00e9 necess\u00e1rio destacar que a aplica\u00e7\u00e3o do direito autoral deve ser, primeiro, reconhecida para que, posteriormente, possa haver sua ren\u00fancia em favor de outros usu\u00e1rios e programadores. Por\u00e9m a regulamenta\u00e7\u00e3o dos softwares livres depende muito das licen\u00e7as desenvolvidas especialmente para este tipo de programa, pois s\u00e3o elas que estipulam, em grande parte, as consequ\u00eancias jur\u00eddicas do uso deste tipo de software.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Verificamos pela leitura da Lei do Software que o usu\u00e1rio n\u00e3o pode fazer quase nada com um programa adquirido a n\u00e3o ser utiliz\u00e1-lo em computador pr\u00f3prio e fazer uma \u00fanica c\u00f3pia para salvaguarda. Cabe somente ao autor autorizar usos menos restritivos dos programas. Essas permiss\u00f5es geralmente s\u00e3o concedidas por licen\u00e7as que, por sua vez, garantem as liberdades que permeiam o pr\u00f3prio conceito de software livre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O car\u00e1ter permissivo das licen\u00e7as de softwares livres n\u00e3o \u00e9 absoluto. Existem certas licen\u00e7as, como a Licen\u00e7a BSD (<em>Berkeley Software Distribution<\/em>) original, que exigem men\u00e7\u00e3o da autoria do programa, e outras, como a GNU GPL (<em>General Public License<\/em> do Projeto GNU), que endossam o <em>copyleft<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As licen\u00e7as de software livre podem ser classificadas em dois grupos, as licen\u00e7as permissivas e as que aplicam o <em>copyleft<\/em>. As licen\u00e7as permissivas, como a Licen\u00e7a MIT e a Licen\u00e7a Apache, somente fazem refer\u00eancia ao uso, redistribui\u00e7\u00e3o e modifica\u00e7\u00e3o do software. Elas n\u00e3o imp\u00f5em que a redistribui\u00e7\u00e3o do software se mantenha livre e n\u00e3o exigem que vers\u00f5es com o c\u00f3digo aberto sejam distribu\u00eddas, o que permite que o software livre, na cadeia de redistribui\u00e7\u00f5es, venha a se tornar propriet\u00e1rio. Estas licen\u00e7as s\u00e3o interessantes de serem usadas quando o projeto visa a ampla divulga\u00e7\u00e3o do programa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De certa forma, as licen\u00e7as permissivas podem ser compreendidas como a m\u00e1xima express\u00e3o da garantia de liberdade, tendo-se autonomia para utilizar o software livre da maneira desejada. Por outro lado, a licen\u00e7a permissiva pode acabar por restringir essa liberdade na medida em que se omite quanto \u00e0s liberdades de terceiros que viriam na cadeia de redistribui\u00e7\u00e3o. O grande problema dos programas distribu\u00eddos sob essas licen\u00e7as, modificados ou n\u00e3o, \u00e9 o fato de que o c\u00f3digo antes livre pode vir a se tornar fechado. A licen\u00e7a permissiva admite que o redistribuidor combine o c\u00f3digo aberto com material baseado em c\u00f3digo fechado e isso permite que os desenvolvimentos posteriormente adicionados ao c\u00f3digo de um software livre possam ser feitos sob uma licen\u00e7a propriet\u00e1ria. Ora, os softwares s\u00e3o estruturas din\u00e2micas que somente s\u00e3o \u00fateis se acompanham as constantes mudan\u00e7as e necessidades novas da realidade e dos usu\u00e1rios. Portanto, ainda que o c\u00f3digo original permane\u00e7a livre, se os desenvolvimentos posteriores feitos sobre ele se tornam propriet\u00e1rios, no longo prazo, isso pode inviabilizar sua utiliza\u00e7\u00e3o sem a aquisi\u00e7\u00e3o das modifica\u00e7\u00f5es posteriores, o que acaba por for\u00e7ar o usu\u00e1rio a adquirir os desenvolvimentos posteriores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As licen\u00e7as que aplicam o <em>copyleft<\/em>, por outro lado, imp\u00f5em, em caso de redistribui\u00e7\u00e3o, condi\u00e7\u00f5es que asseguram que o software mantenha suas liberdades originais, agindo de forma a prevenir que uma vers\u00e3o posterior venha a se tornar fechada. Essa limita\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e1xima express\u00e3o da garantia de liberdade imposta pelo <em>copyleft<\/em> pode ser considerada uma precau\u00e7\u00e3o para que a liberdade de terceiros continue sendo garantida.<br>A Licen\u00e7a GNU GPL foi a primeira a aplicar o conceito de <em>copyleft<\/em>, desenvolvido por Richard Stallman, autor original da GPL. O <em>copyleft<\/em> faz uso da legisla\u00e7\u00e3o de Direitos Autorais (copyright) para assegurar a livre disponibilidade do c\u00f3digo:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>To copyleft a program, we first state that it is copyrighted; then we add distribution terms, which are a legal instrument that gives everyone the rights to use, modify, and redistribute the program\u2019s code or any program derived from it but only if the distribution terms are unchanged. Thus, the code and the freedoms become legally inseparable. Proprietary software developers use copyright to take away the users\u2019 freedom; we use copyright to guarantee their freedom. That\u2019s why we reverse the name, changing \u2018copyright\u2019 into \u2018copyleft.\u2019. <\/p><cite>Stallman, 2002, p.91<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao exigir que o c\u00f3digo fonte seja disponibilizado, a GLP propicia que sejam feitas modifica\u00e7\u00f5es nos softwares e, caso estas ocorram e o programa modificado seja redistribu\u00eddo, o c\u00f3digo fonte da nova vers\u00e3o tamb\u00e9m dever\u00e1 ser disponibilizado, possibilitando novas modifica\u00e7\u00f5es posteriores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em teoria a combina\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo aberto com c\u00f3digo propriet\u00e1rio faria com que qualquer software que inclua o material derivado de uma combina\u00e7\u00e3o de c\u00f3digos fosse considerado livre, o que terminaria por descaracterizar o software livre. Portanto, teoricamente, a combina\u00e7\u00e3o de licen\u00e7as propriet\u00e1rias com outras licen\u00e7as livres incompat\u00edveis com a GPL, em especial as licen\u00e7as permissivas, seria imposs\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na pr\u00e1tica, por\u00e9m, isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel usar simultaneamente programas com ambas as licen\u00e7as, ou at\u00e9 combin\u00e1-los. Cada licen\u00e7a de software livre aplica os seus preceitos de formas e em graus diferentes, existindo diversas maneiras de combinar programas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">4) Desenvolvimento e explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica<br><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A refer\u00eancia aos softwares como livres alude \u00e0 sua ideologia de respeito \u00e0s liberdades essenciais que s\u00e3o fundamentais para a sociedade, principalmente ao se considerar a digitaliza\u00e7\u00e3o de nossas atividades di\u00e1rias, que dependem do bom desempenho dos softwares que as estruturam. Nesse contexto a cria\u00e7\u00e3o e a divulga\u00e7\u00e3o de softwares livres tem o poder de dar acesso tecnol\u00f3gico relevante a diversas sociedades, promovendo o desenvolvimento econ\u00f4mico e a liberdade em geral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O discurso anti software livre frequentemente argumenta que para que a produ\u00e7\u00e3o de software seja poss\u00edvel \u00e9 necess\u00e1rio que diversas pessoas, em especial os programadores, sejam remuneradas. O debate sobre a quest\u00e3o econ\u00f4mica dos softwares livres, ou seja, sobre a forma de gerar renda e lucros a partir de sua produ\u00e7\u00e3o, \u00e9, na verdade, uma discuss\u00e3o sobre a durabilidade desse modelo, pois sempre haver\u00e1 necessidade por recursos, sejam estes remunerat\u00f3rios ou de m\u00e3o-de-obra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os programadores de fato precisam ser, de alguma forma, remunerados, e as empresas que os desenvolvem precisam trabalhar com lucros. Por\u00e9m diversos modelos j\u00e1 mostraram que \u00e9 poss\u00edvel aliar os softwares livres \u00e0 explora\u00e7\u00e3o que viabiliza a continuidade de sua produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A venda de softwares livres pode parecer, em um primeiro momento, algo contradit\u00f3rio, mas uma an\u00e1lise mais profunda mostra que \u00e9 exatamente o contr\u00e1rio. Por serem livres e n\u00e3o gratuitos quem os adquire tem a liberdade de compartilh\u00e1-los, o que inclui a sua venda, refor\u00e7ando sua tend\u00eancia natural de se espalhar. Isso n\u00e3o ocorre com softwares propriet\u00e1rios, cuja distribui\u00e7\u00e3o sem autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via \u00e9 ilegal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, uma das principais fontes de renda desses programas \u00e9 a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, com cursos sobre a utiliza\u00e7\u00e3o dos softwares, assist\u00eancias t\u00e9cnicas, adapta\u00e7\u00f5es espec\u00edficas que podem ser solicitadas por terceiros interessados. Como costuma dizer a comunidade de software livre: softwares are free, people aren\u2019t \u2014 \u201cos softwares s\u00e3o livres para serem reproduzidos e distribu\u00eddos, mas pelo conhecimento das pessoas voc\u00ea ter\u00e1 que pagar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E geralmente, s\u00e3o os desenvolvedores originais que melhor podem oferecer essas melhorias. Os softwares livres s\u00e3o usados, tamb\u00e9m, como subsistemas e aplicativos de aparelhos eletr\u00f4nicos, ou seja, como subprodutos de outra atividade principal que proporciona os rendimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mercado de softwares livres proporciona pessoas e empresas com capacidade de oferecer suporte t\u00e9cnico e manuten\u00e7\u00e3o para os programas e produtos que funcionam baseados neles. Em tese, qualquer um pode se tornar um especialista em dado programa, podendo ofertar esse tipo de servi\u00e7o, principalmente porque n\u00e3o h\u00e1, necessariamente, uma depend\u00eancia do suporte do produtor de software e de assist\u00eancias t\u00e9cnicas autorizadas. O usu\u00e1rio, desse modo, \u00e9 livre para escolher quem contrata.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os softwares livres v\u00eam mudando a forma como lidamos com os programas de computador, que deixam de ser algo est\u00e1tico, dependente de seus desenvolvedores origin\u00e1rios para que haja melhorias e novas aplicabilidades. Eles passam a assumir um car\u00e1ter din\u00e2mico e o usu\u00e1rio passa a ter controle para us\u00e1-los como quiser em quaisquer circunst\u00e2ncias desejadas, podendo adapt\u00e1-los e torn\u00e1-los melhores e mais \u00fateis. Esse dinamismo proporciona o surgimento de diversas novas atualiza\u00e7\u00f5es e programas derivados do original com uma celeridade que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel verificar nos softwares propriet\u00e1rios.A difus\u00e3o de tecnologias novas ou adaptadas tem um potencial ben\u00e9fico para a sociedade como um todo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, um dos grandes m\u00e9ritos dos softwares livres est\u00e1 exatamente em demonstrar, com exemplos pr\u00e1ticos bem-sucedidos, como modelos de produ\u00e7\u00e3o baseados em estruturas n\u00e3o propriet\u00e1rias podem funcionar. \u00c9 poss\u00edvel extrapolar a utiliza\u00e7\u00e3o deste modelo para outras \u00e1reas econ\u00f4micas e verificar seus impactos produtivos, financeiros, tecnol\u00f3gicos e sociais. Ora, a internet possibilitou a transmiss\u00e3o de conhecimento e cultura em n\u00edveis nunca antes sonhados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A forma de se explorar comercialmente, por exemplo, o mercado fonogr\u00e1fico vem sendo modificada. A facilidade dos downloads ilegais diminuiu a venda dos CDs f\u00edsicos tornando a venda de m\u00fasicas pela internet a um pre\u00e7o reduzido poss\u00edvel. H\u00e1 artistas que oferecem suas obras na internet para serem adquiridas pelo pre\u00e7o que o consumidor desejar pagar. Aplica-se aqui o modelo de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, em que a principal fonte de renda deixa de ser a venda de produtos e se volta para os lucros dos shows.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>De certo modo, o software livre \u00e9 uma vanguarda que est\u00e1 experimentando, desde muitos pontos de vista, novos modelos de produ\u00e7\u00e3o de obras intelectuais. Modelos nos quais n\u00e3o se restringe a liberdade do usu\u00e1rio para proteger a dos autores. Modelos nos quais qualquer um pode melhorar o trabalho dos outros. Modelos nos quais, ao final, estamos redescobrindo como cooperar.<\/p><cite>GONZ\u00c1LEZ-BARAHONA et al., 2012, p.29<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">5) A experi\u00eancia do governo brasileiro<br><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O governo brasileiro vem incentivando o desenvolvimento de software livre no pa\u00eds com intuitos diversos, como a economia de gastos p\u00fablicos com licen\u00e7as propriet\u00e1rias e o desenvolvimento da ind\u00fastria local de TI. Os softwares livres s\u00e3o apontados como uma excelente alternativa de compartilhamento de informa\u00e7\u00f5es para atender \u00e0s necessidades governamentais espec\u00edficas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os gastos com softwares e TI em geral tem aumentado em todos os setores, inclusive no governo. Os softwares livres proporcionam a possibilidade de reduzir custos, com economia de recursos financeiros p\u00fablicos por meio do n\u00e3o pagamento de licen\u00e7as propriet\u00e1rias. H\u00e1 independ\u00eancia dos fornecedores, n\u00e3o ocorrendo o aprisionamento tecnol\u00f3gico usual, pois o governo n\u00e3o tem obriga\u00e7\u00e3o de adquirir novas licen\u00e7as de um \u00fanico fabricante com o lan\u00e7amento de novas vers\u00f5es. Com os softwares livres, n\u00e3o h\u00e1 como criar essa depend\u00eancia j\u00e1 que existe uma ampla disponibilidade de empresas a serem contratadas para atualizar um software livre. Isso incentivaria, inclusive, o mercado interno com a maior demanda por profissionais especializados em TI. Al\u00e9m disso, o uso do software livre tamb\u00e9m tem como objetivo a universaliza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os para a<br>\ncidadania com a inclus\u00e3o digital da popula\u00e7\u00e3o, considerando-se direitos de comunica\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o pelo acesso \u00e0 tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Buscando viabilizar este projeto o governo brasileiro vem adotando leis e medidas favor\u00e1veis ao software livre. Foi criado em 2005, tendo como refer\u00eancia b\u00e1sica o \u201c<a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Buscando viabilizar este projeto o governo brasileiro vem adotando leis e medidas favor\u00e1veis ao software livre. Foi criado em 2005, tendo como refer\u00eancia b\u00e1sica o \u201cThe IDA Open Source Migration Guidelines&quot; da Comunidade Europeia, em sua vers\u00e3o 02, o \u201cGuia Livre: Refer\u00eancia de Migra\u00e7\u00e3o para Software Livre do Governo Federal\u201d. Este documento estabelece uma estrat\u00e9gia para implementa\u00e7\u00e3o de softwares livres na esfera governamental: (opens in a new tab)\" href=\"https:\/\/www.robertonovaes.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/ida-open-source-migration-guidelines-en.pdf\" target=\"_blank\">The IDA Open Source Migration Guidelines<\/a>&#8221; da Comunidade Europeia, em sua vers\u00e3o 02, o \u201c<a href=\"https:\/\/www.robertonovaes.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/guia-livrev1-02-referencia-migracao-software-livre-governo-federal.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Buscando viabilizar este projeto o governo brasileiro vem adotando leis e medidas favor\u00e1veis ao software livre. Foi criado em 2005, tendo como refer\u00eancia b\u00e1sica o \u201cThe IDA Open Source Migration Guidelines&quot; da Comunidade Europeia, em sua vers\u00e3o 02, o \u201cGuia Livre: Refer\u00eancia de Migra\u00e7\u00e3o para Software Livre do Governo Federal\u201d. Este documento estabelece uma estrat\u00e9gia para implementa\u00e7\u00e3o de softwares livres na esfera governamental: (opens in a new tab)\">Guia Livre: Refer\u00eancia de Migra\u00e7\u00e3o para Software Livre do Governo Federal<\/a>\u201d. Este documento estabelece uma estrat\u00e9gia para implementa\u00e7\u00e3o de softwares livres na esfera governamental:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, implementamos uma forte pol\u00edtica de independ\u00eancia tecnol\u00f3gica, de fortalecimento da pesquisa em computa\u00e7\u00e3o de alto desempenho, de inclus\u00e3o digital e de ado\u00e7\u00e3o do software livre. <\/p><p><\/p><cite>Guia de Referencia de Migra\u00e7\u00e3o para Software Livre do Governo Federal \u2014 Organizado por Grupo de Trabalho Migra\u00e7\u00e3o para Software Livre \u2014 Retirado do texto de Introdu\u00e7\u00e3o do Presidente Luis In\u00e1cio Lula da Silva<br><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A independ\u00eancia tecnol\u00f3gica evita, tamb\u00e9m, um problema que vem ocorrendo em alguns pa\u00edses, em que arquivos antigos n\u00e3o podem mais ser acessados em decorr\u00eancia da mudan\u00e7a do padr\u00e3o do c\u00f3digo em que eles foram desenvolvidos. Softwares propriet\u00e1rios n\u00e3o permitem que seus c\u00f3digos fontes sejam atualizados de forma que eles se tornam obsoletos e a informa\u00e7\u00e3o neles contida inacess\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir da iniciativa de implanta\u00e7\u00e3o do software livre surgiu o conceito de Software P\u00fablico, como forma de compartilhar softwares desenvolvidos pelo governo. A Licen\u00e7a GPL foi adotada para viabilizar o compartilhamento de solu\u00e7\u00f5es entre institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Para isso, em 2004, o Instituto Nacional de Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o (ITI), respons\u00e1vel pelo Comit\u00ea T\u00e9cnico para Implanta\u00e7\u00e3o do Software Livre do Governo Eletr\u00f4nico Brasileiro, encomendou um estudo sobre a constitucionalidade da GPL. O resultado foi o \u201cEstudo sobre o Software Livre\u201d da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, que concluiu que a GPL \u00e9 condizente com o ordenamento jur\u00eddico brasileiro. O estudo gerou o livro \u201cDireito do Software Livre e a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O software p\u00fablico \u00e9 desenvolvido pelo governo e como tal \u00e9 um bem p\u00fablico. A disponibiliza\u00e7\u00e3o de um software pelo setor p\u00fablico extrapola o universo do c\u00f3digo livre, por isso, a base do conceito de software p\u00fablico foi definida como a manifesta\u00e7\u00e3o do interesse p\u00fablico por determinada solu\u00e7\u00e3o. A este respeito, o estudo acima mencionado comenta que \u201ca nota que permite \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o atribuir, conforme sua discricionariedade, o uso particular \u00e9 a compatibilidade com o interesse p\u00fablico [\u2026]\u201d (Falc\u00e3o, et al., 2007, p\u00e1g.161).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2005, foi licenciado o primeiro software livre federal, tendo como base as diretrizes existentes no pa\u00eds \u00e0 \u00e9poca, a Lei do Direito Autoral, a Lei do Software e a Resolu\u00e7\u00e3o N\u00ba58 do <a href=\"http:\/\/www.inpi.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Em 2005, foi licenciado o primeiro software livre federal, tendo como base as diretrizes existentes no pa\u00eds \u00e0 \u00e9poca, a Lei do Direito Autoral, a Lei do Software e a Resolu\u00e7\u00e3o N\u00ba58 do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI). Esse programa, inicialmente desenvolvido para atender as demandas governamentais, ultrapassou o setor p\u00fablico federal. O modelo de disponibiliza\u00e7\u00e3o do software em um ambiente p\u00fablico de colabora\u00e7\u00e3o possibilitou a intensifica\u00e7\u00e3o de seu uso o que fez com que rapidamente surgisse uma rede de prestadores de servi\u00e7o ao longo do pa\u00eds. A sociedade passou a assumir um papel din\u00e2mico no processo de desenvolvimento do software p\u00fablico. (opens in a new tab)\">Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI)<\/a>. Esse programa, inicialmente desenvolvido para atender as demandas governamentais, ultrapassou o setor p\u00fablico federal. O modelo de disponibiliza\u00e7\u00e3o do software em um ambiente p\u00fablico de colabora\u00e7\u00e3o possibilitou a intensifica\u00e7\u00e3o de seu uso o que fez com que rapidamente surgisse uma rede de prestadores de servi\u00e7o ao longo do pa\u00eds. A sociedade passou a assumir um papel din\u00e2mico no processo de desenvolvimento do software p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2007 foi criado o <a href=\"https:\/\/softwarepublico.gov.br\/social\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Em 2007 foi criado o Portal do Software P\u00fablico Brasileiro cujo objetivo \u00e9 sua efetiva\u00e7\u00e3o como um bem p\u00fablico, promovendo um ambiente de colabora\u00e7\u00e3o de usu\u00e1rios, desenvolvedores e prestadores de servi\u00e7o. Os servi\u00e7os dispon\u00edveis s\u00e3o acessados at\u00e9 por outros pa\u00edses, como Uruguai, Argentina, Portugal, Venezuela, Chile e Paraguai e os softwares disponibilizados no portal seguem as diretrizes da Instru\u00e7\u00e3o Normativa n\u00ba 1\/2011 da Secret\u00e1ria de Log\u00edstica e Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Planejamento, Or\u00e7amento e Gest\u00e3o: (opens in a new tab)\">Portal do Software P\u00fablico Brasileiro<\/a> cujo objetivo \u00e9 sua efetiva\u00e7\u00e3o como um bem p\u00fablico, promovendo um ambiente de colabora\u00e7\u00e3o de usu\u00e1rios, desenvolvedores e prestadores de servi\u00e7o. Os servi\u00e7os dispon\u00edveis s\u00e3o acessados at\u00e9 por outros pa\u00edses, como Uruguai, Argentina, Portugal, Venezuela, Chile e Paraguai e os softwares disponibilizados no portal seguem as diretrizes da Instru\u00e7\u00e3o Normativa n\u00ba 1\/2011 da Secret\u00e1ria de Log\u00edstica e Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Planejamento, Or\u00e7amento e Gest\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Art. 2\u00ba O Software P\u00fablico Brasileiro \u00e9 um tipo espec\u00edfico de software que adota um modelo de licen\u00e7a livre para o c\u00f3digo-fonte, a prote\u00e7\u00e3o da identidade original entre o seu nome, marca, c\u00f3digo-fonte, documenta\u00e7\u00e3o e outros artefatos relacionados por meio do modelo de Licen\u00e7a P\u00fablica de Marca \u2014 LPM e \u00e9 disponibilizado na internet em ambiente virtual p\u00fablico, sendo tratado como um benef\u00edcio para a sociedade, o mercado e o cidad\u00e3o [\u2026].<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Licen\u00e7a P\u00fablica de Marca (LPM), lan\u00e7ada em 2010, tem como principal objetivo legal proteger a marca dos softwares que s\u00e3o ofertados no Portal do Software P\u00fablico Brasileiro. Sua representa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica foi uma ideia copiada do copyleft, utilizando o s\u00edmbolo da marca registrada, a letra &#8220;R&#8221; dentro de um c\u00edrculo, s\u00f3 que invertida. Ela se encontra em sua primeira vers\u00e3o e se baseia nos modelos desenvolvidos nas v\u00e1rias vers\u00f5es da GPL e na <em>Creative Commons<\/em>, em especial a Marca de Dom\u00ednio P\u00fablico:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Art. 3\u00ba [\u2026]<br>V &#8211; Licen\u00e7a P\u00fablica de Marca \u2014 LPM: tipo de licen\u00e7a de uso de marca que preserva a identidade original entre o nome, a marca, o c\u00f3digo-fonte, a documenta\u00e7\u00e3o e outros artefatos relacionados ao Software P\u00fablico Brasileiro e na qual o titular do registro consente genericamente, sem necessidade de qualquer tipo de autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via e\/ou espec\u00edfica, que outros utilizem gratuitamente a marca para fins de c\u00f3pia, distribui\u00e7\u00e3o, compartilhamento e transmiss\u00e3o em qualquer dispositivo f\u00edsico ou virtual, inclusive com prop\u00f3sitos comerciais [\u2026]. (Instru\u00e7\u00e3o Normativa n\u00ba 1\/2011 da Secret\u00e1ria de Log\u00edstica e Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Planejamento, Or\u00e7amento e Gest\u00e3o)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tendo em vista a legisla\u00e7\u00e3o brasileira de marcas e patentes, a LPM garante a estrutura original da marca e reconhece sua autoria, de forma que \u00e9 poss\u00edvel ao autor da mesma renunciar \u00e0 sua exclusividade sobre o programa desenvolvido. \u00c9 permitido ao usu\u00e1rio da LPM certos princ\u00edpios b\u00e1sicos dos softwares livres, a c\u00f3pia, distribui\u00e7\u00e3o, compartilhamento, transmiss\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o da marca de forma permissiva, sem necessidade de autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via desde que a marca continue inalterada e haja respeito \u00e0 sua defini\u00e7\u00e3o e proporcionalidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">6) Interfer\u00eancias pol\u00edticas na utiliza\u00e7\u00e3o do software livre: o caso do Paran\u00e1<br><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes mesmo da cria\u00e7\u00e3o do Guia do Governo Federal Livre para migra\u00e7\u00e3o para Software Livre em 2005, o Estado do Paran\u00e1 j\u00e1 se mostrava como uma refer\u00eancia nacional em independ\u00eancia e inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica sustent\u00e1vel sendo apontado como um dos maiores usu\u00e1rios e desenvolvedores de software livre do pa\u00eds. Essa pol\u00edtica estrat\u00e9gica era executada pela Companhia de Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o do Paran\u00e1 (Celepar), \u00f3rg\u00e3o que centraliza as atividades de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o no Paran\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os objetivos do Governo do Paran\u00e1 eram elevar a inform\u00e1tica p\u00fablica e intensificar o processo democr\u00e1tico, tendo consci\u00eancia de que os investimentos p\u00fablicos realizados nessa \u00e1rea devem ser feitos de forma respons\u00e1vel e sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2003 foram sancionadas as leis estaduais 14.058\/2003 e 14.195\/2003 sobre o uso preferencial de tecnologias livres e de c\u00f3digo-fonte aberto pelo Governo do estado. Essas leis prescrevem que, ao adquirir softwares, a administra\u00e7\u00e3o do Paran\u00e1 deve dar prefer\u00eancia aos softwares livres, Sistemas Operacionais e editores de documentos de c\u00f3digo aberto e, em caso de aquisi\u00e7\u00e3o de softwares propriet\u00e1rios[note] Lei 14.058\/03 \u2013 Art. 3 &#8211; Entende-se por programa com licen\u00e7a propriet\u00e1ria aquele cuja licen\u00e7a de uso implica em pagamento de licen\u00e7a pela propriedade intelectual de sua cria\u00e7\u00e3o, e que apresenta garantia do fabricante com rela\u00e7\u00e3o a sua efic\u00e1cia e exata utiliza\u00e7\u00e3o.[\/note], dever\u00e1 ser dada prefer\u00eancia para aqueles que operem em ambiente multiplataforma, permitindo sua execu\u00e7\u00e3o sem restri\u00e7\u00f5es em sistemas operacionais baseados em software livre. Com essa medida, R$ 127,3 milh\u00f5es[note]http:\/\/www.softwarelivre.gov.br\/noticias\/News_Item.2006-06-23.3734\/[\/note] foram economizados dos cofres do estado somente nos tr\u00eas primeiros anos de sua implementa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, os softwares dos \u00f3rg\u00e3os da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica estavam dispon\u00edveis para a sociedade pela edi\u00e7\u00e3o de uma Licen\u00e7a P\u00fablica Geral (GPL) baseada na legisla\u00e7\u00e3o internacional de copyright. A inform\u00e1tica p\u00fablica paranaense vinha progredindo por meio de uma administra\u00e7\u00e3o mais participativa, com o suporte da tecnologia \u00e0s decis\u00f5es governamentais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por\u00e9m, em abril de 2013 o ent\u00e3o Governador do Paran\u00e1, Carlos Alberto, assinou um protocolo de inten\u00e7\u00f5es com a Microsoft cuja proposta consistia em disponibilizar gratuitamente solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas para capacita\u00e7\u00e3o de pessoas em TI e uso de plataforma de aprendizagem virtual pelo per\u00edodo de dois anos. Ser\u00e3o disponibilizadas op\u00e7\u00f5es de softwares a serem implantadas pelo governo nas \u00e1reas de educa\u00e7\u00e3o, qualifica\u00e7\u00e3o, inova\u00e7\u00e3o e empreendedorismo. Acordo similar j\u00e1 foi firmado junto ao Estado de S\u00e3o Paulo afirmando-se que foi resgatada a confian\u00e7a de investidores nacionais e internacionais com as novas diretrizes de governo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A desconsidera\u00e7\u00e3o da Lei 14.058\/2003, no que tange \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de softwares propriet\u00e1rios multiplataforma, demonstra um problema comum da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica brasileira: a instabilidade das pol\u00edticas p\u00fablicas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s inclina\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que se encontram no poder. Al\u00e9m disso, essa situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m retrata um problema s\u00e9rio que o movimento do software livre enfrenta, a press\u00e3o dos grandes grupos para que iniciativas de ado\u00e7\u00e3o de software livre sejam barradas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Estado do Paran\u00e1 ao tratar o software como um meio de produ\u00e7\u00e3o e n\u00e3o s\u00f3 como um produto, possibilitou o desenvolvimento de tecnologias que, por sua vez, impulsionaram o surgimento de novos empreendimentos econ\u00f4micos, contribuindo, assim, para o progresso socioecon\u00f4mico do estado e do pa\u00eds. Um exemplo n\u00edtido disso \u00e9 o software desenvolvido pelo Paran\u00e1 chamado de \u201cExpresso\u201d, que funciona como agenda, calend\u00e1rio, email, cuja comunidade, Expresso Livre, est\u00e1 constantemente aprimorando o programa. Contando com uma base de mais de meio milh\u00e3o de usu\u00e1rios, distribu\u00eddos entre 167 institui\u00e7\u00f5es, o Expresso Livre demonstra que o desenvolvimento de solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas de alta qualidade e de forma colaborativa no Brasil \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, o acordo com a Microsoft pode significar um retrocesso na inclus\u00e3o e independ\u00eancia digital, inclusive no que tange ao fator econ\u00f4mico, tendo em vista que o software oferecido tem sua gratuidade restrita a dois anos. Al\u00e9m disso, os softwares da Microsoft n\u00e3o s\u00e3o multiplataforma, o que impossibilita a utiliza\u00e7\u00e3o de programas de concorrentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No setor p\u00fablico, mostra-se imperativa a ado\u00e7\u00e3o de softwares livres. N\u00e3o somente visando a economia de recursos, mas tamb\u00e9m porque o incentivo governamental leva ao surgimento e ao fortalecimento de comunidades<br>\nde TI e de alternativas de software que beneficiam toda a sociedade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">7) Conclus\u00e3o<br><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde o in\u00edcio de seu desenvolvimento os softwares sempre foram associados \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o e ao compartilhamento sendo geralmente desenvolvidos em ambientes acad\u00eamicos e de colabora\u00e7\u00e3o empresarial. O software n\u00e3o era visto como algo dissociado do hardware e costumava-se fornecer o seu c\u00f3digo fonte para que poss\u00edveis falhas pudessem ser corrigidas e desenvolvimentos posteriores pudessem ser efetuados. O software era livre ao menos para aqueles que tinham acesso \u00e0 tecnologia existente na \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O conceito de software livre como o conhecemos hoje surgiu durante a d\u00e9cada de 1980 como uma alternativa \u00e0 tend\u00eancia que se fortalecia de bloquear a capacidade do usu\u00e1rio de acessar o c\u00f3digo fonte com o intuito de prevenir o seu estudo e modifica\u00e7\u00e3o. A ind\u00fastria de software estava mudando, tornando as restri\u00e7\u00f5es cada vez mais comuns. Richard Stallman, ent\u00e3o membro do MIT, tentou obter acesso ao c\u00f3digo de uma impressora Xerox para que pudesse corrigir um erro, mas este acesso lhe foi negado. A partir dessa experi\u00eancia Stallman idealizou o movimento de software livre, iniciando o Projeto GNU e posteriormente criando a <em>Free Software Foundation<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde ent\u00e3o, a comunidade do software livre se encontra em expans\u00e3o, programas se tornam cada vez mais conhecidos e utilizados pelo usu\u00e1rio comum, permitindo que qualquer um tenha acesso aos softwares livres. Por\u00e9m essa expans\u00e3o ainda \u00e9, de certa forma, t\u00edmida principalmente no que tange \u00e0 sua filosofia de liberdade e coopera\u00e7\u00e3o. Existem concep\u00e7\u00f5es vagas e err\u00f4neas e um grande desconhecimento que dificulta a compreens\u00e3o de suas vantagens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A forma como o conceito do software livre foi desenvolvido, considerando-se primordialmente o conjunto de liberdades que s\u00e3o garantidas em suas licen\u00e7as, torna-o um conceito jur\u00eddico. As licen\u00e7as que geralmente regem os softwares n\u00e3o livres, bem como as legisla\u00e7\u00f5es sobre direitos autorais que regem os direitos sobre os softwares, imp\u00f5em as condi\u00e7\u00f5es sob as quais eles podem ser usados, distribu\u00eddos e modificados e sempre de maneira bastante restringente. O usu\u00e1rio n\u00e3o possui direito para exercer essa liberdade de uso sobre um software que tenha adquirido exceto se explicitamente autorizado pelo detentor da licen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nossa sociedade est\u00e1 habituada \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o e n\u00e3o \u00e0 permiss\u00e3o. As licen\u00e7as de software livre agem exatamente nesse sentido permissivo, garantindo a liberdade de uso, distribui\u00e7\u00e3o e modifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O software possui uma capacidade de adapta\u00e7\u00e3o incr\u00edvel, podendo ser reproduzido em diversos contextos e adequado com facilidade para a realiza\u00e7\u00e3o de in\u00fameras tarefas. As legisla\u00e7\u00f5es atuais pro\u00edbem a explora\u00e7\u00e3o desta capacidade, o que pode dificultar o desenvolvimento econ\u00f4mico de na\u00e7\u00f5es mais pobres. Essas limita\u00e7\u00f5es tornam os softwares extremamente imut\u00e1veis e r\u00edgidos, mesmo que o usu\u00e1rio possua conhecimentos t\u00e9cnicos para adapt\u00e1-lo, segundo seus interesses ou os de sua comunidade. \u00c9 interessante observar que a ades\u00e3o aos softwares livres tamb\u00e9m proporciona independ\u00eancia tecnol\u00f3gica dos fornecedores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Argumenta-se que uma sociedade capitalista n\u00e3o pode ser baseada em produtos que n\u00e3o abarcam conceitos de propriedade, por\u00e9m ao se tratar da gera\u00e7\u00e3o de renda e lucros a partir dos softwares livres, diversos modelos j\u00e1 demonstraram que \u00e9 poss\u00edvel ali\u00e1-los a v\u00e1rias formas de explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Al\u00e9m disso a experi\u00eancia de modelo livre de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de softwares vem superando o campo tecnol\u00f3gico, sendo percebida em diversos campos intelectuais. A internet teve um papel importante em possibilitar essa expans\u00e3o, intensificando a transmiss\u00e3o de conhecimento e cultura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como exemplo de outra aplicabilidade interessante dos softwares livres aponta-se a experi\u00eancia bem sucedida do governo brasileiro cujo incentivo aos softwares livres no pa\u00eds gerou enorme economia de gastos p\u00fablicos com licen\u00e7as propriet\u00e1rias e o desenvolvimento da ind\u00fastria local de TI.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir dessa iniciativa surgiu o Software P\u00fablico, que foi considerado uma manifesta\u00e7\u00e3o do interesse p\u00fablico por determinada solu\u00e7\u00e3o para compartilhar softwares desenvolvidos pelo governo. Para proteger a marca dos Softwares P\u00fablicos foi desenvolvida a Licen\u00e7a P\u00fablica de Marca (LPM) baseada nos modelos da GPL e na Licen\u00e7a Creative Commons. A LPM garante a estrutura original da marca e reconhece sua autoria, de forma que o autor possa renunciar sua exclusividade sobre o programa. Para facilitar a implanta\u00e7\u00e3o do software p\u00fablico, o governo brasileiro desenvolveu um guia para a migra\u00e7\u00e3o para os softwares livres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de todos esses esfor\u00e7os para a introdu\u00e7\u00e3o nos setores governamentais e para o desenvolvimento na sociedade, interesses individuais de grandes corpora\u00e7\u00f5es e desaven\u00e7as pol\u00edticas atuam como um obst\u00e1culo \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o dos softwares livres. A mudan\u00e7a dos grupos pol\u00edticos que se encontraram no poder reflete, muitas vezes, em uma mudan\u00e7a nas pol\u00edticas governamentais, de forma a beneficiar diferentes interesses que, muitas vezes, n\u00e3o coincidem com os da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Estado do Paran\u00e1 se encontrava na vanguarda da utiliza\u00e7\u00e3o de tecnologia sustent\u00e1vel no Brasil pela promulga\u00e7\u00e3o de duas leis estaduais que d\u00e3o prefer\u00eancia ao uso de tecnologias livres ou, ao menos, que operem em ambiente multiplataforma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, a mudan\u00e7a do grupo pol\u00edtico no poder do Estado provocou a assinatura de um protocolo de inten\u00e7\u00f5es com a Microsoft, o que marca n\u00e3o s\u00f3 um retrocesso para a comunidade do software livre, mas tamb\u00e9m para a sociedade brasileira que volta \u00e0 pris\u00e3o tecnol\u00f3gica da depend\u00eancia de um \u00fanico fornecedor. A escolha por parte da Microsoft de oferecer essa tecnologia gratuitamente (pelo per\u00edodo de dois anos) para \u00e1reas essenciais ao desenvolvimento do pa\u00eds como educa\u00e7\u00e3o, inova\u00e7\u00e3o e qualifica\u00e7\u00e3o de novos profissionais, pode ser vista como uma estrat\u00e9gia para o aprofundamento dessa depend\u00eancia. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">8) Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<br><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Lei n\u00ba 9.609, de 19 de fevereiro de 1998. Disp\u00f5e sobre a prote\u00e7\u00e3o da propriedade intelectual de programa de computador, sua comercializa\u00e7\u00e3o no Pa\u00eds, e d\u00e1 outras provid\u00eancias. Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o, Poder Legislativo, Bras\u00edlia, DF, 20 fev. 1998. Se\u00e7\u00e3o 1. p. 1. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9609.htm\">http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9609.htm<\/a> Acesso em: 05 maio 2013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>__<\/strong>. Lei n\u00ba 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza e consolida a legisla\u00e7\u00e3o sobre direitos autorais e d\u00e1 outras provid\u00eancias. Di\u00e1rio Oficial da<br>\nUni\u00e3o, Poder Legislativo, Bras\u00edlia, DF, 20 fev. 1998. Se\u00e7\u00e3o 1. p. 3. Dispon\u00edvelem: <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9610.htm\">http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9610.htm<\/a> Acesso em: 05 maio 2013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>__<\/strong>. Minist\u00e9rio do Planejamento, Or\u00e7amento e Gest\u00e3o. Secretaria de Log\u00edstica e Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o. Guia livre: Refer\u00eancia de Migra\u00e7\u00e3o para Software Livre do Governo Federal. Bras\u00edlia, DF: Governo Federal. 2005.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><strong><em>. _____<\/em>. _<\/strong><\/em><\/strong>. Instru\u00e7\u00e3o Normativa n\u00ba 01, de 17 de janeiro de 2011. Disp\u00f5e sobre os procedimentos para o desenvolvimento, a disponibiliza\u00e7\u00e3o e o uso do Software P\u00fablico Brasileiro \u2014 SPB. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.softwarepublico.gov.br\/spb\/download\/file\/in_spb_01.pdf\">http:\/\/www.softwarepublico.gov.br\/spb\/download\/file\/in_spb_01.pdf<\/a> Acesso em:26 jun 2013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">COMPANHIA de Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o do Paran\u00e1 \u2014 Celepar. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.celepar.pr.gov.br\/modules\/noticias\/article.php?storyid=1044#\">http:\/\/www.celepar.pr.gov.br\/modules\/noticias\/article.php?storyid=1044#<\/a>. Acesso em: 02 set. 2013<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GONZ\u00c1LEZ-BARAHONA, Jes\u00fas M. et al. Copyleft: Manual de Uso. Tradu\u00e7\u00e3o de Arthur Jodorowsky, Daiane Hemerich, Felipe Burd. 1\u00aa Vers\u00e3o. Brasil: 2012. 172 p. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/copyleftmanual.files.wordpress.com\/2012\/10\/copyleft-final.pdf\">http:\/\/copyleftmanual.files.wordpress.com\/2012\/10\/copyleft-final.pdf<\/a>. Acesso em: 17 maio 2013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FALC\u00c3O, Joaquim et al. Estudo sobre o software livre: comissionado pelo Instituto Nacional de Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o (ITI). Rio de Janeiro: FGV, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PARAN\u00c1 Wireless: cidades digitais, software livre e inclus\u00e3o. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www4.serpro.gov.br\/inclusao\/noticias\/parana-wireless-cidadesdigitais-software-livre-e-inclusao\">http:\/\/www4.serpro.gov.br\/inclusao\/noticias\/parana-wireless-cidadesdigitais-software-livre-e-inclusao<\/a>. Acesso em: 18 set. 2013<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PORTAL do Software P\u00fablico Brasileiro. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.softwarepublico.gov.br\">http:\/\/www.softwarepublico.gov.br<\/a>. Acesso em: 05 jul. 2013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REVISTA LINUX MAGAZINE. S\u00e3o Paulo: Linux New Media do Brasil Editora Ltda. Jun. 2011. 84 p. Edi\u00e7\u00e3o Especial. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.linuxnewmedia.com.br\/images\/uploads\/pdf_aberto\/LME_06.pdf\">http:\/\/www.linuxnewmedia.com.br\/images\/uploads\/pdf_aberto\/LME_06.pdf<\/a> Acesso em: 24 jun 2013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>__<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Linux New Media do Brasil Editora Ltda. N. 49, Dez. 2008. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.linuxnewmedia.com.br\/images\/uploads\/pdf_aberto\/LM_49_28_32_05_corp_soft_livre.pdf\">http:\/\/www.linuxnewmedia.com.br\/images\/uploads\/pdf_aberto\/LM_49_28_32_05_corp_soft_livre.pdf<\/a> Acesso em: 24 jun 2013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SOFTWARE Livre em xeque no Paran\u00e1. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/softwarelivre.org\/portal\/governos\/software-livre-em-xeque-no-parana\">http:\/\/softwarelivre.org\/portal\/governos\/software-livre-em-xeque-no-parana<\/a>. Acesso em: 02 set. 2013<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SOFTWARE Livre no Governo do Brasil. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.softwarelivre.gov.br\/\">http:\/\/www.softwarelivre.gov.br\/<\/a>. Acesso em: 16 mar. 2013 <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ST. LAURENT, Andrew M. Understanding Open Source and Free Software Licensing. EUA: O&#8217;Reilly Media, 2004.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">STALLMAN, Richard M. Free Software, Free Society: Selected Essays of Richard M. Stallman. Edited by Joshua Gay. (Boston: GNU Press, 2002)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>__<\/strong>. Why Open Source misses the point of Free Software. GNU Operating System, Philosophy, 10 fev. 2007. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.gnu.org\/philosophy\/open-source-misses-the-point.html\">https:\/\/www.gnu.org\/philosophy\/open-source-misses-the-point.html<\/a>. Acesso em: 10 fev. 2013<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">WILLIAMS, Sam. Free as in Freedom (2.0): Richard Stallman and the Free Software Revolution. 2\u00aa ed. <\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Recebido em 14 maio 2015.<\/li><\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num mundo em que cada vez mais as nossas atividades dependem do bom desempenho dos softwares que as estruturam, a cria\u00e7\u00e3o e a divulga\u00e7\u00e3o de softwares livres proporcionou acesso ao conhecimento, \u00e0 pesquisa e ao desenvolvimento em pa\u00edses como o Brasil, que sem a utiliza\u00e7\u00e3o destas plataformas sofreriam ainda mais em raz\u00e3o de sua defasagem tecnol\u00f3gica se os comparamos aos desenvolvidos. O open source software difere do licenciamento de direitos autorais tradicional ao permitir a distribui\u00e7\u00e3o e a modifica\u00e7\u00e3o pelos usu\u00e1rios dos softwares que utilizam. Todavia, apesar da nomenclatura comum, h\u00e1 diferentes modalidades de abertura e utiliza\u00e7\u00e3o destas ferramentas e estas diferen\u00e7as t\u00eam repercuss\u00f5es jur\u00eddicas, tecnol\u00f3gicas e econ\u00f4micas s\u00e9rias. Temos desde softwares abertos que permitem ao usu\u00e1rio todo e qualquer tipo de uso de seu c\u00f3digo, inclusive o econ\u00f4mico; at\u00e9 aqueles que exigem que todo uso seja tamb\u00e9m liberado em c\u00f3digo aberto. Nos EUA existe uma bem estruturada legisla\u00e7\u00e3o e j\u00e1 formada jurisprud\u00eancia sobre estas modalidades de utiliza\u00e7\u00e3o do open source software. No Brasil, o mundo jur\u00eddico ainda n\u00e3o se deteve sobre a regulamenta\u00e7\u00e3o precisa destas modalidades de software livre, suas poss\u00edveis utiliza\u00e7\u00f5es e sobre as consequ\u00eancias jur\u00eddicas do descumprimento destas regras. Entretanto, nas \u00faltimas d\u00e9cadas o governo brasileiro tem apoiado a utiliza\u00e7\u00e3o de softwares livres em suas organiza\u00e7\u00f5es. Nesse artigo, discorremos sobre a legisla\u00e7\u00e3o brasileira em rela\u00e7\u00e3o ao licenciamento de software livre e analisamos as justificativas de ganho de produtividade e economia financeira utilizadas para a ado\u00e7\u00e3o desses sistemas. Assim, pretendemos demonstrar que a utiliza\u00e7\u00e3o de softwares livres \u00e9 fundamental \u00e0 promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento econ\u00f4mico e tecnol\u00f3gico, em especial em pa\u00edses como o nosso. O acesso aos softwares livres \u00e9 vital para a melhor organiza\u00e7\u00e3o de governos e possibilita a transpar\u00eancia e a efetiva\u00e7\u00e3o dos direitos humanos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":913,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[54,56,55,57,58],"class_list":["post-889","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-e-textos","tag-direito-da-informatica","tag-free-software","tag-licenciamento-de-software","tag-open-source-software","tag-software-livre"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.robertonovaes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/889","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.robertonovaes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.robertonovaes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.robertonovaes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.robertonovaes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=889"}],"version-history":[{"count":32,"href":"https:\/\/www.robertonovaes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/889\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2039,"href":"https:\/\/www.robertonovaes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/889\/revisions\/2039"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.robertonovaes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/913"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.robertonovaes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=889"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.robertonovaes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=889"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.robertonovaes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=889"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}